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Tráfico e milícia aproveitam pandemia de coronavírus para disputar favelas no RJ

epidemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus, não conteve disputas entre facções do tráfico de drogas e milícias por territórios no Estado do Rio. Desde que o governador Wilson Witzel começou a anunciar medidas para restringir a circulação de pessoas, no último dia 13, houve ataques e tiroteios em nove favelas nas zonas Norte e Oeste da capital, na Baixada Fluminense e no Norte Fluminense. Traficantes e paramilitares de mais de 20 localidades estão envolvidos nesses conflitos, monitorados pelas polícias Militar e Civil.

A maior das guerras envolve duas quadrilhas de traficantes e um grupo de milicianos. No dia 10 de março, criminosos da maior facção do tráfico do Rio saíram do Complexo do Lins para invadir os morros do Dezoito e do Saçu, em Quintino, na Zona Norte.

Há mais de um ano, as favelas eram dominadas, conjuntamente, por um consórcio de traficantes e milicianos, costurado entre criminosos da Praça Seca e do Complexo da Serrinha, em Madureira. A venda de drogas era permitida e, simultaneamente, a milícia poderia cobrar taxas de comerciantes e moradores.

Os invasores entraram, inicialmente, no Morro do Dezoito pela mata. Usando roupas camufladas, o grupo matou pelo menos três criminosos. Três dias depois, invadiram o Saçu. Na ocasião, vídeos gravados pelos traficantes mostram boletos de cobrança deixados pelos milicianos, que fugiram do local.

Desde então, paramilitares e traficantes da Serrinha se juntaram para tentar retomar o território. Nas últimas três semanas, seguidos tiroteios assustaram moradores da região. Os invasores conseguiram se instalar e já vendem drogas no local.

A guerra, entretanto, está longe de acabar: segundo a Polícia Civil, o objetivo da facção invasora é retomar o controle sobre a Praça Seca, de onde foi expulsa no ano passado.

Ataques e revides

As duas facções do tráfico que se enfrentam no Morro do Dezoito também brigam pelo controle de outras cinco favelas espalhadas pelo estado. No Morro do Adeus, vizinho ao Complexo do Alemão, acontece a guerra mais duradoura: os tiroteios ocorrem desde dezembro do ano passado. O mais recente aconteceu no último dia 31. A facção — que controla a Serrinha, a Cidade Alta e a maior parte do Complexo da Maré e perdeu o Morro do Dezoito — invadiu a favela e se manteve lá desde então.

Na segunda metade de março, a quadrilha também tentou invadir a Favela do Lixão, em Duque de Caxias, e a Kelson’s, na Penha, Zona Norte do Rio. Ambos os ataques partiram da Cidade Alta. As duas favelas, entretanto, seguem sob domínio da maior facção do estado.

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Já na Palmeira, em Belford Roxo, a quadrilha da Cidade Alta tenta retomar o controle das bocas de fumo, que foram invadidas pelo grupo rival no ano passado. No último dia 25, criminosos saíram de Parada de Lucas, Acari e Senador Camará para atacar a favela. O ataque foi repelido com a ajuda de criminosos do Complexo da Penha.

Na Pavuna, foi a maior facção do Rio quem tentou invadir uma favela dominada pelo bando rival, a Terra Nostra, no último dia 21. Traficantes do Complexo do Chapadão trocaram tiros com rivais, mas foram expulsos na mesma noite.

Já no último dia 28, milicianos tentaram invadir o Jardim Novo, em Realengo, um dos últimos redutos da facção que mais perdeu domínios no estado nos últimos anos. A quadrilha também sofreu ataques de uma facção rival em Macaé, no Norte Fluminense. Já a milícia foi atacada na Carobinha, em Campo Grande, pela maior facção do estado.

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