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União Europeia anuncia ajuda de 20 milhões de euros para o Irã

Dinheiro chegará ao país através da OMS, e servirá para financiar ações de combate ao coronavírus; presidente Rouhani volta a defender suspensão de sanções dos EUA

BRUXELAS — O chefe da diplomacia da União Europeia anunciou um pacote de 20 milhões de euros para ajudar o Irã no combate ao coronavírus no país, que registra 23 mil casos e 1.819 mortes. Segundo Josep Borrell, o dinheiro deve ser disponibilizado “nas próximas semanas”.

Mas, segundo Esfandyar Batmanghelidj, editor do site Bourse & Bazaar, especializado em economia iraniana, o dinheiro não será entregue diretamente a Teerã. Citando fontes da União Europeia, ele afirma que a verba será redirecionada para a Organização Mundial da Saúde (OMS), que coordena a maior parte das ações internacionais de apoio ao governo local, servindo para comprar equipamentos usados pelo setor de saúde.

A situação crítica no sistema de saúde iraniano está sendo amplificada pelo impacto das sanções dos EUA, ligadas ao programa nuclear do país. Apesar das medidas não atingirem diretamente a exportação de equipamentps de primeira necessidade, o sistema bancário local está virtualmente impedido de realizar transações internacionais, e poucas empresas estão dispostas a correr o risco de punições por negociarem com Teerã. Até o momento, a ajuda externa tem sido enviada pela OMS e por nações como a China e algumas monarquias do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos.

Além do pacote de ajuda, a União Europeia se comprometeu a apoiar o pedido feito pelo Irã para acessar um fundo emergencial mantido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de US$ 5 bilhões. A proposta foi feita no dia 12 de março, mas até agora segue sem resposta. Na semana passada, um pedido semelhante feito pela Venezuela foi negado. Para analistas, o papel dos EUA como principal acionista do FMI pode ser um fator nessa demora, algo que os diplomatas europeus prometeram tentar mudar, mas sem dizer exatamente como.

Sanções

Nesta segunda-feira, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, voltou a defender o fim das sanções americanas contra o país, dizendo que tal atitude seria mais efetiva que recentes ofertas de ajuda, rejeitadas pelas autoridades locais.

— Os líderes americanos estão mentindo. Se eles querem ajudar o Irã, tudo o que precisam fazer é suspender as sanções. Dessa forma, conseguiremos lidar com o coronavírus — afirmou Rouhani.

Os líderes iranianos afirmam que as medidas, amplificadas após a saída dos EUA do acordo sobre o programa nuclear do país, impedem a compra de equipamentos médicos e o acesso ao financiamento externo. Na semana passada, em uma longa carta ao povo americano, Rouhani defendeu ações para pressionar a Casa Branca e o Congresso pelo fim das medidas, e disse que as sanções atingem principalmente a população.

Medidas de restrição

No fim de semana, as autoridades ordenaram o fechamento de centros comerciais na capital, Teerã, que concentra a maior parte dos casos. Apesar disso, muitas pessoas continuam nas ruas: o país está em meio às celebrações do ano novo persa, uma data que, em tempos normais, é marcada por festas nas ruas e muitas reuniões familiares e de amigos.

Também foi anunciada a montagem de um hospital de campanha em Teerã, que será mantido pelo Exército e poderá receber até 2 mil pessoas a partir de quarta-feira.

Mesmo com as ordens para evitar aglomerações, uma multidão participou do funeral de um ex-comandante da Guarda Revolucionária em Teerã. Hossein Asadollahi morreu no sábado, oficialmente por problemas de saúde relacionados à exposição a armas químicas durante a guerra contra o Iraque, nos anos 1980. Meios ligados à oposição no exterior afirmam, por sua vez, que ele foi vítima do coronavírus.

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