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Uruguai será ‘dobradiça’ para bom funcionamento do Mercosul, diz presidente eleito

Luis Lacalle Pou diz que já entrou em contato com Bolsonaro e com Alberto Fernández, que assumirá governo da Argentina no dia 10

MONTEVIDÉU – O Uruguai tem a oportunidade de ser uma “dobradiça” que contribua para o bom funcionamento do Mercosul, estimou o presidente eleito Luis Lacalle Pou em entrevista à imprensa local neste domingo.

— Entrei em contato com o presidente [eleito da Argentina, Alberto] Fernández e com o presidente [do Brasil, Jair] Bolsonaro. E com o presidente [argentino] Mauricio Macri. O Uruguai tem uma oportunidade muito interessante nestes tempos de ser novamente a dobradiça entre os grandes do Mercosul —  disse Lacalle Pou, que em 24 de novembro venceu o segundo turno da eleição presidencial no país , em entrevista ao jornal local El País.

Lacalle Pou, do Partido Nacional, de centro-direita, assumirá o governo em 1º de março à frente de uma coalizão de partidos que vão do centro à direita. Sua eleição pôs fim a um ciclo de 15 anos de governos da Frente Ampla, de esquerda, e ele também defende uma liberalização das regras do Mercosul, uma união aduaneira na qual a busca de acordos comerciais depende da concordância dos parceiros.

— Teremos interesses que confluem, muitos; teremos interesses conflitantes — disse ele sobre o bloco criado em 1991 e que inclui também o Paraguai.

Para Lacalle Pou, “o interesse nacional, entre outras coisas, é a tranquilidade na região”. O presidente eleito também se referiu às relações com o futuro governo peronista da Argentina e recomendou que as pessoas não assumissem que diferentes orientações políticas complicariam o relacionamento.

Ele também disse que irá à posse de Fernández se for convidado. O atual presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, da Frente Ampla, já anunciou que viajará a Buenos Aires para a cerimônia de posse. Bolsonaro não irá e enviará apenas o ministro Osmar Terra, da Cidadania.

Lacalle Pou voltou a criticar a atual política uruguaia em relação à Venezuela, que segundo “está intimamente ligada primeiro a fatores ideológicos, depois a fatores pessoais e depois econômicos: há pessoas que fizeram negócios com o governo de Nicolás Maduro”.

O governo de Tabaré Vázquez tem defendido uma solução negociada para a crise venezuelana, sem intervenção externa. O ex-presidente José Mujica, também da Frente Ampla, já qualificou o governo de Maduro como uma ditadura. Mas, diferentemente do Brasil e do atual governo argentino, de Mauricio Macri, o Uruguai não reconheceu o líder opositor Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como “presidente interino” do país.

— Vamos condenar claramente a ditadura de Maduro em todas as instâncias — disse Lacalle Pou, informando que no seu governo o Uruguai deixará o chamado Mecanismo de Montevidéu, liderado atualmente pelo país e pelo México, que procura promover negociações entre o governo e a oposição venezuelanos.

Via
O GLOBO
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