Saúde

Vacina contra HIV entrará em fase avançada de teste em humanos em oito países, inclusive o Brasil

Análises serão em grupos considerados vulneráveis a contraírem o vírus. Pesquisada há 15 anos, forma de imunização é, desta vez, considerada promissora por especialistas

RIO — Após pesquisas iniciais, uma vacina contra o HIV considerada promissora por especialistas entrará em uma fase avançada, de teste em humanos. O estudo Mosaico entrará em fase 3, e as análises serão em homens que fazem sexo com homens e pessoas transexuais. Será avaliado um processo de quatro doses de uma vacina projetada para imunizar contra as diferentes variedades do vírus em todo o mundo. O Brasil está entre os países onde o estudo será conduzido. Os testes devem iniciar até o fim deste ano.

O estudo foi apresentado por Susan Buchbinde, presidente do protocolo Mosaico e diretora do programa Bridge HIV do Departamento de Saúde Pública de São Francisco, e parceiros envolvidos no desenvolvimento da vacina, na 10ª Conferência da International AIDS Society sobre a Ciência do HIV (IAS 2019), na Cidade do México.

Os testes serão feitos em oito países da América do Norte, América do Sul e da Europa, e contarão com a participação de cerca de 3.800 indivíduos, com idades entre 18 e 60 anos. Serão 24 centros de estudo nos EUA, nove no Brasil, cinco no Peru, quatro na Argentina e três no México. Na Europa estão na lista a Espanha, Itália e Polônia.

Nosso compromisso é o de garantir que os resultados dos testes de vacina contra o HIV sejam aplicados para populações de diversos países — afirmou Susan Buchbinder durante a apresentação, segundo a organização britânica Nam Aids Map.

Alguns estudos de vacinas já chegaram na fase 2, que inclui testes em seres humanos, mas poucos avançam para fase 3. Esta última fase inclui testes em um número maior de pessoas e em diferentes paises, como o que ocorrerá com a Mosaico.

Quatro doses em um ano
Uma série de estudos anteriores, iniciados há 15 anos, foram realizados em macacos. Estes trabalhos refinaram a ideia da composição de uma vacina e determinaram o regime de dosagem mais eficaz.

A vacina preventiva contra o HIV-1 que será avaliada no Mosaico é administrada em quatro doses no período de um ano. Ela usa um vetor de adenovírus — um parente inofensivo do vírus do resfriado comum — para fornecer o chamado mosaico de imunógenos otimizados do HIV, ou antígenos que estimulam as respostas imunes do organismo.

A vacina mescla quatro vetores de adenovírus sorotipo 26, que libera um mosaico de antígenos de HIV, Ad26.Mos4.HIV (nas doses 1 e 4), e uma combinação de duas proteínas solúveis, Mosaic e Clade C gp140 trimérica com fosfato de alumínio adjuvante (nas doses 3 e 4).

Segundo Dan Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, essa combinação de antígenos “não é encontrada em nenhum vírus individual, mas em fragmentos diferentes de vírus”, otimizada para abranger várias cepas globais do HIV.

Inscrições em setembro
Buchbinder informou que as inscrições para os testes devem começar em setembro, e os indivíduos elegíveis devem estar em ‘risco avançado para o HIV’, atendendo a uma série de critérios. Entre eles, ainda segundo a organização, está, por exemplo, pessoas que fizeram sexo anal ou vaginal sem preservativo fora de uma relação monogâmica estável (12 meses) com um parceiro conhecido como HIV negativo ou HIV positivo com supressão viral na terapia anti-retroviral.

Ainda entre os critérios, estão o de ter sido diagnosticado com gonorréia ou clamídia retal ou uretral ou sífilis e terem usado quaisquer estimulantes, incluindo cocaína ou anfetamina.

O Mosaico é um esforço conjunto público-privado envolvendo os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV, com sede no Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos EUA e a farmacêutica Janssen (parte da Johnson & Johnson).

Nossa ambição é desenvolver uma vacina que possa ser utilizada de forma eficaz em qualquer lugar do mundo, para fortalecer o combate à epidemia de HIV — afirma Paul Stoffels, vice-Presidente do Comitê Executivo e Diretor Científico da Johnson & Johnson. — Ao trabalhar com parceiros globais e alavancar tecnologias de ponta, estamos otimistas de que possamos chegar a uma vacina para o HIV ainda em nossa época.

Via
O Globo
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