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Vamos pensar: o que é conservadorismo?

Por Elaine Salgarello

O conservadorismo é um pensamento político que defende a manutenção
das instituições sociais tradicionais – como a família, a comunidade local e
a religião -, além dos usos, costumes, tradições e convenções. O
conservadorismo enfatiza a continuidade e a estabilidade das instituições,
opondo-se a qualquer tipo de movimentos revolucionários e de políticas
progressistas. Mas é importante entender que o conservadorismo não é um
conjunto de ideias políticas definidas, pois os valores conservadores variam
enormemente de acordo com os lugares e com o tempo. Por exemplo,
conservadores chineses, indianos, russos, africanos, latino-americanos e
europeus podem defender conjuntos de ideias e valores bastante diferentes,
mas que estão sempre de acordo as tradições de suas respectivas
sociedades.

É importante não confundir o pensamento político conservador com a
atitude em relação às mudanças políticas chamada de conservadora (junto
com outras como reacionários, progressistas e radicais). O conservador
neste último sentido busca manter a situação política do jeito que está,
independentemente do conjunto de ideias a que se aplica. É um termo
normalmente aplicável a qualquer pensamento político que esteja no poder.
De todo modo, é possível determinar algumas características fundamentais
do pensamento conservador ocidental. O conservadorismo tem como seus
principais valores a liberdade e a ordem, especialmente a liberdade política
e econômica e a ordem social e moral. O conservador acredita que há uma
ordem moral duradoura e transcendente, que no caso do conservadorismo
ocidental é baseada na doutrina cristã e tem na religião a sua base. O
conservadorismo valoriza a diversidade típica do individualismo e rejeita a
igualdade como um objetivo da política. O conservador, assim como o
libertário, entende que a igualdade político-jurídica é suficiente para
garantir a igualdade necessária entre as pessoas. Qualquer desigualdade
material ou de resultado é consequência inevitável das diferenças naturais
entre os indivíduos, de seus esforços e de suas decisões.
Na esfera política, o conservador procura preservar as instituições políticas
e sociais que se desenvolveram ao longo do tempo e são fruto dos usos,
costumes e tradições. O conservadorismo entende que as mudanças e o
progresso são necessários para manter uma sociedade saudável, mas
essas mudanças devem ser cautelosas e graduais. Assim, a política do
conservador é a política da prudência, sempre preferindo manter e melhorar
as instituições estáveis e testadas do que tentar rupturas para implantar
modelos de sociedade e instituições advindas da razão humana.

 

 

Essa postura coloca o pensamento conservador em conflito com ideologias
essencialmente reformistas, que almejam criar uma sociedade “perfeita”
pelo uso da política. Para o conservador, a política é a “arte do possível” e
não um meio para se chegar a uma sociedade utópica.
Nas esferas social e moral, o conservador defende a manutenção dos usos,
costumes e convenções, além de uma estrutura social e hierárquica
tradicional. Na cultura, o conservadorismo valoriza as manifestações locais
e uma identidade nacional. Nessas esferas, os conservadores são
coletivistas, pois entendem que toda a comunidade deve adotar certos
padrões de comportamento e certos valores para garantir uma coesão social
e a identificação dos indivíduos com a comunidade. Fonte: Livro Urgente
da Política Brasileira.

“A tradição da esquerda é julgar o sucesso humano pelo fracasso de alguns.
Isso sempre lhe oferece uma vítima a ser resgatada. No século XIX eram os
proletários. Nos anos 60, a juventude. Depois as mulheres e os animais.
Agora o planeta.” “O conservadorismo advém de um sentimento que toda
pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas
admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso
é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens
coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da
propriedade e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os
demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Em relação a tais
coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da
criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século XX.
Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem
quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas
enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa.”

Roger Scruton, filósofo e escritor inglês cuja especialidade é a Estética.
Scruton tem sido apontado como o intelectual britânico conservador mais
bem-sucedido desde Edmund Burke.

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Por Elaine Salgarello
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